Como preservar o Aquífero Guarani?

Geólogo de São Carlos estima que aquífero já baixou 72 metros no subsolo de Ribeirão. Rio Pardo é afetado

    • Jornal A Cidade
    • Sidinei Quartier
Matheus Urenha / A Cidade
Área de recarga do aquífero: Ribeirão ‘sugou’ 16 milhões de litros em janeiro (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

O aquífero Guarani, estimam os geólogos, demorou entre 130 e 200 milhões de anos para ser formado. Um desses geólogos, o professor Édson Wendland, da USP de São Carlos, com base em cuidadosa pesquisa, calcula que o Guarani, de sua formação primitiva, está rebaixado, atualmente, em 72 metros no subsolo de Ribeirão Preto. A tendência, é o rebaixamento de um metro a cada ano.

O mais assustador, entretanto, é que o Guarani, de mantenedor do rio Pardo, passou a se beneficiar (receber) das águas do rio, numa faixa de terra na zona norte de Ribeirão. Sinais evidentes de gastanças excessivas. O processo precisa ser revertido, para a perenidade do Pardo.

Outro geólogo, Osmar Sinelli, 78 anos, formado na USP de São Paulo, em estudos realizados nos anos 70, coletou um dado impressionante, que raramente é divulgado: as águas das chuvas absorvidas no afloramento do aquífero em Ribeirão, que se estende do bairro da Lagoinha, na zona Leste, até Serrana, levam dez mil anos para chegar ao subsolo de Sertãozinho, a 18 quilômetros de distância.

Sinelli, 78 anos, professor aposentado da Faculdade de Filosofia da USP-RP, informou que para cada cem litros de água de chuva, só 4,5% são absorvidos pela recarga. Mas apesar das aparentes dificuldades, devemos agradecer a natureza. A área de afloramento de Ribeirão é das mais generosas da bacia do Paraná. A outra, com as mesmas dimensões, fica em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.
“São duas extremidades, com excelente área de recarga. Mas o fluxo da água é lento, principalmente quando enfrenta inclinação contrária”, diz Sinelli.

Carlos Alencastre, diretor da Bacia do Pardo Grande do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) investigou a história para descobrir que o Guarani começou a ser explorado, em Ribeirão Preto, em 1929, com a perfuração do primeiro poço profundo.

Janeiro: 16 milhões/l
Agora em janeiro, mês seco e calor recorde, a exploração do Guarani atingiu o ápice. Ribeirão consumiu 9,7 milhões de litros, distribuidos em 194 mil domicílios. Oito por cento a mais que em dezembro.
Acrescentando gastos com vazamento (3 milhões de litros), poços outorgados pelo DAEE e poços “piratas”, chegou-se ao impressionante número de 15,7 milhões de litros.

O gasto de água, por habitante, pelas contas do Daerp, foi de 360 mil litros. Inclui-se também água usada na lavagem de reservatórios, combate a incêndio, lavagem e descarga de redes e lavagem de coletoras.
O Daerp dispende, mensalmente, R$ 3 milhões em energia elétrica, com seus 109 poços. Mas o gasto maior da autarquia é com o tratamento de esgoto, da ordem de R$ 4,5 milhões mensal.
Um dos grandes vilões da gastança desenfreada de água, é o vazamento. O Daerp divulga que suas perdas são de 30%. O DAEE aposta em prejuizo de 50%.

Um balanço hidrico do Daerp mostra as mais variadas formas de vazamento: em cavaletes, em ramais, em redes, não visíveis e inerentes. 

Matheus Urenha / A Cidade
Rio Pardo: Já recebeu muito do Aquífero, agora ajuda na ?recarga? (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

Desequilíbrio de pressão provoca gastos excessivos

O superintendente do Daerp, Marco Antônio dos Santos, elegeu o “desequilíbrio de pressão” como inimigo número um da autarquia. É o “desequilíbrio” que provoca a excessiva gastança de água, na sua avaliação.

Para combatê-lo, é necessário interligar toda a cidade com 22 subestações independentes. Isso significa que deverão ser instaladas novas adutoras, válvulas controladoras de grande precisão, construídas  estações elevatórias de tratamento, reservatórios e perfurados pelo menos mais três poços de águas profundas. 

“Reservatórios em locais estratégicos são necessários. Hoje, em muitos locais, a água é jogada direto na rede e isso provoda perdas. Com reservatórios, poderemos descansar as bombas”, diz.

O combate ao  “desequilíbrio de pressão” vai custar R$ 80 milhões - R$ 50 milhões bancados pelo Daerp e o restante, dinheiro do PAC. 

A obra de captação e tratamento da água do rio Pardo, orçada em R$ 270 milhões, não sai na atual administração. Quem sabe na próxima. 

Serviço - Agenda Ribeirão
Onde: Hotel Mont Blanc
Maurílio Biagi, 1547 Quando: 28/5
Horário: 8h30 às 12h
Palestrante: José Tundisi

Arte / A Cidade
Infográfico mostra o nível de rebaixamento do Aquífero Guarani ao longo dos anos (Arte / A Cidade)

 


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